20070226

Kept

Fecho as janelas, tranco as portas, sento-me no chão.
Abro os olhos, ouço música, e no escuro viajo para outro mundo de fantasia

(oh how much better it is when you can run away from the truth and enjoy the wonders of a well told lie).

Adormeço.
Não... Estou acordado. Estou confuso.

Como num sonho
vejo e cheiro o bosque por onde corre um pequeno ribeiro,
eucaliptos e árvores de nome complicado que me abraçam na sua simples essência
mas porque é que tudo tem que ser explicado?

Enfureço-me.
ARGH!
Não pertenço a esse mito bucólico, desviante na sua pureza.

Abro as janelas, rebento com as fechaduras, corro para a rua, caio no lixo e sinto.

Como às vezes só na dor se encontra um sinal de vida roubado à apatia constante.
Como às vezes precisas de te perder repetidamente até encontrares o teu caminho.
Como às vezes... tens que esquecer quem és e vestir mais uma face (de Morgan...).

And yet you don't know me and you never will.
Not an angel.
Not a demon.
Halfway in between.

Still waiting for someone to pull me up.
Up... or down.

Eu masturbo, tu masturbas, ela masturba...

Mais uma conversa de Primas, entre shots:
Ela - Hoje à noite estava a ver novelas e deu-me vontade de foder.
Ele - Então mas não te masturbaste?
Ela - Pá não, tinha acabado de pintar as unhas...

20070223

Definições "a la Morgan/a" - O Regresso

Ter cara de boa pessoa- ter aspecto de quem conhece toda a gente, e por isso sabe onde se compra o melhor a melhores preços. Normalmente têm um ar assim um tanto ou quanto alucinado mas bem disposto.

i.e.
- Olha, sabes onde é que se pode arranjar MD?
- Não, foda-se, porque é que me tás a perguntar isso a mim?
- Ah, é só porque tens cara de boa pessoa...

20070222

Silence becomes it


Admito que em tempos, na minha tenra idade, fui grande fã dos Silence 4.
Estavam na moda e passei um grande verão ao som do primeiro album deles. Hoje em dia não fazem qualquer sentido na minha vida, são apenas uma boa recordação dos meus 18/19 anos.
Contudo, no outro dia, uma amiga minha praticamente obrigou-me a ir ver um concerto do David Fonseca. Não conheço bem a carreira dele a solo, já ouvi uma ou outra música do artista, mas não é nada que me agrade particularmente. Ouve-se, e pronto, podia ser melhor, mas também podia ser pior. Bem, isto tudo por dizer que lá fui ao concerto com a minha amiga que não queria ir sozinha, e inclusive ofereceu-me o bilhete.
Não estava à espera de nada de extraordinário, afinal enganei-me...
Bom espectáculo, luzes excelentes, imagens muito boas e algumas inovações interessantes para um artista português. O reportório foi interessante (apesar de não conhecer as músicas), até que chegou a altura de ouvir algumas músicas dos extintos Silence 4. Ouvem-se os primeiros acordes de "borrow" (tenho que admitir que me deu um friozinho de melancolia na barriga) e quando espero ouvir a música que me acompanhou durante tanto tempo, eis que surge uma surpresa: a música já não é a mesma, a batida é diferente e o ritmo também. Aconteceu o mesmo com "angel song" e "my friends".
Fiquei bastante surpreendida com esta evolução e soube-me bastante bem, sem dúvida, as músicas transformaram-se assim como as minhas recordações.
Não quero dizer com isto que vou passar a ouvir David Fonseca (não é o meu género), digamos que prefiro guardar mais uma boa recordação em silêncio...

20070221

Definições "a la Morgan/a"

Primo- Um gajo com quem houveram estórias no passado. Útil para quando queremos dar a definição directa sem entrar em muitos detalhes. Usado quando quem está connosco quer saber demais.
i.e.
"De onde é que o conheces?"
"Ah, é um primo..."
Material de Mergulho- Substâncias psico-activas frequentemente (mas não sempre) ilegais. Passível de ser substituído por "pastilhas Valda". Se o material de mergulho for referido como sendo verde então fala-se de Marijuana.
i.e.
"Hey, como é, trouxeste o material de mergulho?"
"Ya, verdinho e pronto para mergulhar no meio do Bairro Alto"

Mardi Gras

Mascarei-me de:
- Bêbado;
- Lésbica;
- Jogador de matrecos;
- Party Boy;
- Drama Queen;
- Peixeira;
- (Mesmo) Demasiado Bêbado;
- Tubarão;
- Puta chique;
- Exibicionista;
- Santinho;
- Carrasco;
- Amnésico.

Isto tudo na noite de segunda para terça.
É obra.
E nem precisei de fatos e maquilhagem. ;)

20070219

Primeira Lesboa Party

(Ok, foi a terceira, mas foi a primeira que fui...)

Chegou a noite de sábado e estava eu, um colega blogayro, um amigo hetero duvidoso que-não-sabe-com-quem-anda-ou-então-quer-ignorar, e dois italianos, turistas conhecidos na noite anterior no meio da rua um pouco acima do bairro alto (if you know what I mean) às sete da manhã pelo referido colega -uma menina e um menino - ela straight ele nem por isso. Onde ir? À Lesboa Party, claro.
Apanhámos dois táxis e depois de duvidarmos se estávamos no caminho certo acabámos em frente do Pavilhão de Exposições do Instituto Superior de Agronomia. Parecia bem, belo palacete e a festa já vibrava (ou pelo menos os vidros do pavilhão davam essa sensação).
Entrámos. E continuo a sublinhar: adoro lésbicas. Boa música, bom ambiente, espaço acolhedor. Preços altos (e talvez por isso tenhamos deixado a festa às 5 da manhã, quando todo o álcool que tinhamos bebido antes e a -única- bebida que tinhamos direito já se tinha completamente diluído no sangue), o que combinado com o dinheiro dos táxis nos fez entrar em contenção, mas nota geral...

Estarei lá na quarta Lesboa, e quem sabe contigo Morgana? ;)

20070216

de tudo e de nada

então de repente jã não sei bem se sabes o que eu sei que sempre soubeste mas que nunca disseste porque eu também não perguntei, e ficamos todos confusos porque se "x" é correcto se calhar "y" é mais lógico, por isso vamos ignorar e passear mais um pouco pelas ruas a ver se encontramos o caminho, que nunca realmente encontramos, ah e tal este é mais um beco, mas ninguém sabe e nós também sabemos muito bem enfiar a cabeça debaixo da terra, só porque é giro e já aprendemos a fazê-lo tão bem, como aprendemos muitas coisas (lembras-te?) mas acabamos sempre por cometer erros estúpidos, que se calhar nem são tão estúpidos porque até sabemos que os estamos a fazer na altura, mas fazemos na mesma porque há coisas que têm que ser feitas, como da outra vez que falámos de tudo e de nada mas onde as palavras fluiam como se só de uma frase inacabável se tratasse.

Depois surge um ponto final e não sabemos bem o que fazer a seguir.

20070214

Força!

Vá, pessoal... Só mais algumas horas...
Amanhã já podem acabar com as relações que andam a arrastar para não terem de passar este dia sozinhos...

20070213

Smart Shop

... uma viagem à loja das drogas

Homenagem aos Blogs Depressivos

(Ou porque não existem blogs depressivos mas posts depressivos)

Ai a minha vida.
Ai a noite e as sombras e tal.
Ai que ninguém gosta de mim.
Ai que já gostaram de mim mas agora já não gostam.
Ai que eu não gosto de ninguém.
Ai que me dói aqui.
Ai que me dói ali.
Ai.

Ai que vou ali cortar os pulsos e já venho.

20070208

Are you?


Are you human
Or a dud
Are you human
Or d’you make it up

Throw me down like an old rag
I’m not standing
Don’t look back

You're not human… too

20070205

Danza de la Muerte

About an experiment.
About salvia divinorum.
About me editing a small video for the blog. That became a full song videoclip that sucks.
About me guest-starring on another person's lyrics instead of starring on my own show.
About me being a narcissistic prick.
About shadows and how overwhelming they can be.

About death.

20070202

Com a boca na botija.

Esta primeira semana em Lisboa tem sido realmente sem parar.
Todos os dias ou quase tenho saído, e ontem não foi excepção.

Regresso a casa, cinco da manhã. Estou a passar pela estrada principal do Príncipe Real e noto algo estranho num carro à beira da estrada. Reparem que isto não foi num beco escuro, mas na estrada iluminadíssima já a alguns metros de distância do jardim... Com a minha curiosidade mórbida olho para dentro do carro onde um senhor se refastela no seu banco de condutor enquanto que um jovem dá uso às suas capacidades de levantar e baixar o pescoço usando a garganta para modos menos propícios que o habitual - pelo menos num local deveras público... Isto tudo bastante explícito. Ou seja não foi tipo "Ah e tal se calhar...". Não. Era broche mesmo.
Ora eu com o álcool no sangue não disfarcei muito. "OLHA DOIS GAJOS A FAZER UM BROCHE UM AO OUTRO!". Sim, eu sei que na realidade não era o que se estava a passar, mas foram as palavras que consegui balbuciar com o meu bafo a álcool.
Obviamente continuei a andar, não querendo de todo estar a intrometer-me demasiado na vida sexual alheia. O pior é que não estava sozinho, e essa companhia, alcoolizada também, não tendo reparado à primeira no que se passava no carro, resolve voltar atrás e a modos que descaradamente olhar pelo vidro do carro e dizer qualquer coisas como "Onde?!". Por esta altura arrastei essa minha companhia, perdido em riso, e continuei a andar.
30 Segundos depois o carro arranca. Pensei que tivessem ficado embraraçados, mas não. Pararam 3 metros à nossa frente, aparentemente para falar connosco.

Felizmente o nosso corte para entrar no bairro alto chegou e a aventura terminou ali...