20080805

Do estado das coisas.

Derramamos presença destilada.
Sorrimos a piadas que não têm piada. Obervamo-nos mutuamente e somos filhos da puta sem paciência porque naquele momento estamos ao lado de pessoas desinteressantes que pensam o mesmo sobre nós.

Rimo-nos, rimo-nos deles, de nós, de todos os clichés (it's funny cause it's true...), de todos os trejeitos exagerados e dos sorrisos alegres e sem expectativas.

Crescemos e regredimos, adaptamo-nos ao momento, somos incoerentes e inconscientes, amamos e odiamos mas somos incapazes de algo no meio, temos sexo porque dá jeito mas choramos porque não temos a relação que vimos naquele filme, gozamos o mundo que nos rodeia porque o mundo goza connosco.

Somos os melhores amigos uma hora depois de conhecermos alguém, somos amantes na segunda hora. A seguir fugimos e queixamo-nos que a vida é uma merda.

Somos injustos por prazer e por pedantismo, a vítima que se transforma no psicopata. Defendemos a cara e atiramos a essência para a lama. Fingimos que não há peso ainda que numa distracção as costas fiquem curvadas como se a lua tivesse decidido que a nossa era a gravidade verdadeira.

Gostamos de pensar que somos o centro do mundo. Somos o centro do mundo. Sentimos o que a vista alcança, regozijamos porque o horizonte existe mas choramos porque não conseguimos ir para lá do arco-íris.

Vivemos na fronteira. Somos adaptáveis, mas sem nunca conseguirmos ter um real sentido do verdadeiro. O verdadeiro é o agora.

Amamos estrelas mas somos incapazes de amar pessoas, perdoamos guerras mas não uma palavra dita na hora errada, no local errado.

Somos freeware, sem plugins compatíveis nem manuais de instrução.

Não aceitamos que nos perguntem quem somos.

Somos nós.

Só.

Sós.

3 comentários:

Morgana disse...

Just a puppet on a lonely string

iLoveMyShoes disse...

Auch... estamos um pouquito amargos não?

Bruno Moutinho disse...

O melhor é mesmo descubrir quem somos antes que nos perguntem.

E se para o mundo moldamos aparências e recriamos palavras inventadas sem qualquer vontade, para dentro somos a ausência de identidade criativa.

Belo post :)